domingo, 23 de setembro de 2007

A MORTE DE UM ANJO





As lágrimas ardem quando caem
Sobre meus pulsos cortados,
Mas eu sinto uma dor diferente,
Por eles vejo toda minha pureza indo embora

Já não basta apenas o vento em minhas asas
Para que eu possa voar
Um impulso! E me atiro do mais alto dos prédios
- minhas asas se despedaçam como vidro ao chão

A cera quente que escorre de meus olhos
Dão uma nova feição ao meu rosto
Desfigurado, diferente de tudo que já fui um dia
Não me reconheço mais

Meu vestido branco rasgado, tingido de sangue
Não diz mais de onde vim
E minha aureola já fora encontrada,
E penhorada em um banco qualquer

Ajoelhado no chão, vendo meus pedaços por toda a rua
Tento somente a Lua, como testemunha desta dor
Sou imortal e descrente,
Não mais digno de ser um anjo

Rasgando meu peito,
Pra que dele saia todo o amor, toda a maldição
O fim daquilo que eu era,
O começo de uma nova existência, de dor e perdição

Abandono o céu, excomungo a mim mesmo
Me entreguei ao 7º filho de Lúcifer
E desse amor, tive apenas a destruição
E a morte do que fui um dia...

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